segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Mudança

Ah! Ah! Chegou a liberdade!

Temos que voltar ao trabalho - de Maria!

Lá partiu aos 19 anos para uma aventura, sim uma aventura!
Primeira vez que saía de casa, sozinha; longe, ainda por cima... ter que arranjar quarto para dormir; conhecer novas gentes, conviver com a responsabilidade de cumprir as suas obrigações e ainda ... lidar com ALUNOS! Quando ela, até há bem pouco tempo, era aluna!
Que confusão! Assim que a viram, os miúdos queriam saber se era a nova professora... depois foi O entrar na sala de professores... se houvesse ali um buraco... ela metia-se lá dentro!
Mas, mal se tinha refeito da cena, já estava rodeada por colegas que lhe perguntavam, o nome, donde vinha, a que turmas ia dar aulas? «- O 2ºC? Epá! Não lhes mostres os dentes! É a pior turma da escola!»
Bonito, se ela já estava nervosa, agora era o PAVOR!
Sabem, o pai e o namorado foram com ela, não fosse a menina perder-se! Puxa aquela terra ficava bem longe! Que fixe, tinha que ficar lá a viver! O namorado não gostou muito da ideia, já estava a prever que aquela relação iria chegar ao fim!
E chegou! Oh! Que chatice! Já tinham os móveis do quarto comprados, aquilo é que, era uma pressa! «- Ó filha, vê lá o que fazes! Ainda tens tempo...» - «Que é que queres, ele é que quis comprar... A mobília é dele não é minha! Deixa o que tiver que ser será!»
Pois! E foi o que teve que ser. O namoro acabou! Foi o bom e o bonito! Ele ficou «danado» porque ela o abandonara e à religião - Que prezuízo...!
Que alívio! Ele até nem beijava lá muito bem, além disso era minorca!...
- Ah! Coitado do rapaz!
- Bem, não vos entendo! Primeiro não servia; agora é coitado!
-Então a família toda envolvida, foste com os teus pais a casa dele!
- Quer lá saber, fartei-me! Não é homem para mim! Deviam era ficar contentes, Se casasse, depois divorciava-me! Se calhar era melhor, não?
E lá se calaram as vozes da consciência, digo eu...!
Deixou a religião, sim, mas não abandonou Deus - aliás a Maria sempre quis perceber Deus e entender qual a missão dela na Terra. Por isso, a busca incessante de resposta para as suas dúvidas: VIDA e MORTE!
Esta condição Humana; o Céu, o Inferno, o Purgatório, o Diabo, Cristo, Ressurreição, a Alma! Porquê uma vida tão curta... não há tempo para nada! O Universo, o Infinito... etc, etc.
As respostas? conclui que não é a religião que as dá, é Deus mesmo que as dá! O problema é a disponibilidade para O ESCUTAR...
Deixemo-nos por agora de filosofias! Vamos ao concreto!
Finalmente a Maria emancipou-se, fez-se mulher! Cresceu e aprendeu que esta coisa de ser Gente não é fácil!
Habituada à protecção, familiar, ninguém a tinha preparado para a dura realidade que é esta coisa da paixão física em oposição à espiritual. O que era a hipocrisia dos pseudo-amigos e das «amigas do peito!»
Oh! Como tudo era novo, vivo, atractivo e extremamente perigoso!
Pior ainda, esta coisa de ser professor é complicado, muito complicado! Convenhamos, com aquela idade e a «falta da preparação didáctica e pedagógica!» Muniu-se, então, de humildade e procurou ajuda a quem, supostamente, sabia mais do que ela! Tentou fazer um bom trabalho!
Conseguiu!
A tal turma indisciplinada nunca lhe deu problemas, antes pelo contrário, na altura das rosas floriam todos os dias no coração da Maria, todos os dias alguém lhe levava rosas!
Um dia - sexta-feira - o Luís levou-lhe um ramo, enorme, multicolor que encheu de inveja as professoras (a sério) da sala!
Paciência!
A amizade que a ligava aos alunos, fê-la compreender que tinha errado em não tirar o curso!
Pórém, nunca é tarde!
Reapaixonou-se, desta vez um engenheiro, bravo! Já era alguém! 21 anos - do norte de Portugal - um mundo fascinante abria-se para Maria: os encontros amorosos, enfim uma nova forma sensual de encarar o Amor!
O ano lectivo findou e com ele o amor nortenho!
Arrependimento? Talvez o de não ter insistido em lutar por aquele amor! Percebeu que existem mais coisas para além da moral e dos bons costumes, há que saber interpretar os sinais que a Vida coloca no nosso Caminho!

E agora, o que faço?! Vou estudar, para Viseu!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Prosseguindo

Bem, os anos  passaram a Maria  acabou o Liceu apesar  dos amores platónicos, das «amigas roubadoras» de paixões; da luta interior dos pais; das preocupações e excessos de zelo dos avós!
 Maria não foi para a Faculdade! - Vou arranjar trabalho! - disse ela para os seus botões.
Os botões são uns gajos fixes, escutam e aconselham silenciosamente as nossas consciências ora confusas, ora pesadas, ora nada...
Trabalho havia, mas os homens protectores de Maria, declaravam que aquilo não era emprego para a «princesa»! Que SECA!
Então dividia-se o tempo pela Tecla, pela Internatonal House, pelo crochet... até que um dia, respondeu ao anúncio do  Diário de Coimbra: Professor(a) precisa-se! Para onde? Junto à Serra da Lousã! Mas... era o último dia!! Corre para os Correios, telefona para a Escola e de lá disseram-lhe que ainda podia responder, visto que ainda ninguém o tinha feito!
Okay! Lá vai disto! E escreveu, e mandou e respirou fundo e pensou: - Seja o que Deus quiser! E Deus Quis! Aos 19 anos Maria começou a dar aulas de Português e Inglês ao 2º ciclo e Unificado!
- Era uma nova fase que surgia na vida de Maria!
Não foi fácil, não foi nada fácil!
Primeiro foi o pai - «Não vais nada, para lá! Sózinha! Nem penses!»
-«Senhor Zé, senhor Zé deixe a sua filha decidir» - dizia o avô.
- Acabou a discussão! Já tenho boa idade para assumir as minhas responsabilidades, não sou como tu, que foges sempre de tudo! E além do mais, ninguém me vai chamar! Não sei para que é esta discussão!»
Que coisa, os Natais têm sempre que dar confusão! Que tédio! 
Todavia, Deus quis a Maria Sonhava e a Obra nascia... e Maria foi convocada a apresentar-se na escola! É verdade, até o namorado ( sim, ela já namorava... foi outra Batalha: ter que pedir autorização para namorar... e pronto! Foi fácil. Fez 18 anos, falou com o Pai, este acedeu, a mãe é que ficou renitente! Então, ia namorar um pintor! Não podia ter arranjado, melhor! Até a avó foi contra: Mas que raio, a miha neta a namorar um pintor de casas! Pobre filha; que vida desgarçada ela vai ter! Lavar fatos-macaco! Menina, abre os olhos, tu mereces melhor!
- Um doutor não? E eu lá tenho família para um Dr?; um empregado de mesa, uma operária... Calem-se! Vocês sabem lá  o que a malta pensa!...)

Meus amigos, toda a gente está farta de saber que o fruto proibido é sempre o mais desejado!
Há que aprender a confiar nos jovens, nas pessoas, o Tempo é um tipo que ajuda a tomarmos grandes decisões e este encarregou-se de fazer paerceber à Maria que aquele personagem não seria o homem da vida dela! Outros ela conheceu e mais tarde com um casaria, mas nunca «conseguiu» «ter» um Dr! Vá-se lá saber porquê?

Temos que voltar ao trabalho, de Maria! Mas vai ficar para a próxima!

Bons sonhos!