terça-feira, 20 de março de 2012

3

20 de Março de 2012

Olá!
Na última sessão retomámos a história de Maria. Recuámos até ao ano de 1988... tudo era ainda um sonho a ser tornado realidade... liberdade... era a palavra que lhe soava tão bem...
Mas, o medo também lhe fazia companhia... mais do que devia... medo de errar, medo de escolher, medo de conhecer, medo de ...medo de... juntem a isso ainda alguma timidez e têm os ingredientes certos...para dois tipos de atitude: ou sacode a cabeça e agita os ombros e vai em frente e diz: -« Basta, Maria! Deixa de ser parva! Vive!!! ou acobarda-te e esconde-te na aparência mais conveniente para um lugar pequeno e interior...»
Bem... a primeira opção parece a mais plausível! E assim foi!
Obviamente que isso trouxe algumas consequências. Boas e Más! Mas, sinceramente, mais Boas do que Más! E hoje passados 25 anos creio que Maria sorri e chora e diz: «Ai que saudade! Obrigado! Fui muito Feliz, Aí!»

sexta-feira, 16 de março de 2012

2 ( E continua...)

Março 2012

- Olá «doutora»! Então... novidades? Nunca mais te vi, mulher! Onde estás?
- Olá Teresa! Tudo bem? Lá fiquei mais um ano naquela vila! Terras do Demo!
- Não é mau de todo. Tu até gostas de lá!
- Sim. Mas preferia ficar aqui, sempre me saía mais barato e, além do mais, tenho cá a minhba casa, o meu espaço... !
- Tens razão. Mas o que é que hás-de fazer? Deixa lá. Vamos tomar um café.
- Fechas a Delegação?
- Fecho. vamos. Já há muito tempo que não conversamos, as duas! Como é que vai isso de Amores?
- Óptimo. Estou livre! Acabaram as minhas paixões malucas... creio eu... ah,ah,ah,ah...
- Não mudaste nada, Maria!!
- Para quê? «Eu nasci assim, eu cresci assim...» Só estou um pouco mais velha e mais calculista. Mas de resto está tudo na mesma!
- Então quando voltas para lá?
- Daqui a dias. Sabes que as aulas começam em Setembro e eu tenho que me instalar. Bolas, é o terceiro ano naquela terra! Não sei se é bom ou mau... Só que não vou conseguir fazer lá o que faço aqui. Além de ter que vos deixar.
- Também não vais para tão longe assim; e podes continuar a ser correspondente tanto da RDP, como daqui do Diário de Coimbra. Sabes perfeitamente que gosto que me mandes notícias!
- Vou tentar fazer isso, mas não é a mesma coisa. Não dá luta! As pessoas de lá pensam que o mundo começa e acaba entre Vilar e Leomil. Não vêem que a Vida acontece em todo o lado, a qualquer momento. E que o facto de se estar vivo já é importante. E mais, nós não estamos sozinhos. Há sempre um outro ao nosso lado e que é diferente. Já isso é óptimo, porque aprendemos algo novo, que nos vai enriquecer.
     Só que naquela terra ser-se diferente paga-se caro... bem caro!
- Estás a exagerar!
- Não, não estou. Olha que já lá vivi dois anos. Ambos diferentes é um facto. O primeiro foi o de contacto, o da aprendizagem, o das ilusões e das desilusões! Mas, positivo, apesar de tudo. O segundo foi o de recolhimentol e do divertimento. Parece paradoxal, mas é verdade. E talvez por isso mesmo eu disse aquilo!
     Tem coisas boas, tem. A paisagem, a escola, os jovens - alguns. O resto é só inveja e bisbilhotice. Mas não falemos só de mim. E tu, o que tens feito? Estás cada vez mais bonita! Os teus homens? A tua mãe? Enfim, todos?
- Eu cá estou sempre na mesma. Já sabes como é! Para trás, para diante, à procura de notícias...e de dinheiro! Os meus homens estão bem. O Ricardo vai para o ciclo. O André lá está na escola e o Marquito está cada vez mais querido.
     O Zé pensa ir para a Suiça! vai ser muito bom...
- Não sei, Teresa, já viste o que é ficares aqui sozinha com os putos, a lutar sozinha... O dinheiro não é tudo!!
- Pois não, Maria, mas esta vida assim, também é uma merda! Andamos sempre com uma mão atrás e outra à frente e é quando não são as duas....
- A quem o dizes... mulher! Vocês é que sabem o que é melhor para vós!
- A minha mãe tem andado doente, muito doente. Agora, tem que fazer uns tratamentos em Coimbra no Instituto de Oncologia. Já viste a minha vida!
- Oh, que chatice! Lamento! Não sei que te diga! Olha, coragem!
- E os teus pais?
- Sempre a mesma coisa. A minha mãe lá vai tratando o meu Pai como se ele fosse uma criança; e ele lá vai dando cabo da saúde. Estando a borrifar-se para tudo e todos. Já me mentalizei que ele não vai durar muito tempo! Só espero que não sofra muito nem faça sofrer a minha mãe. Sabes, ela está a envelhecer. às vezes penso, se vale a pena uma pessoa amar, casar e depois... NADA!
- É, Maria! Olha, não te cases... curte! Se quiseres viver junto, vive, mas não te cases. temos poucas compensações. Não há nada que pague a nossa liberdade!
- Então... e o AMOR?
- Acaba por morrer, mais tarde ou mais cedo. Fica o hábito, a amizade, os filhos. Sobejam preocupações. Não te cases, estás melhor assim!

(...)

domingo, 1 de janeiro de 2012

2012

Como seria bom começar o ano de 2012 com humanidade... sem falsos moralismos... falsos políticos... falsos amigos... falsos profetas...!
Como seria bom acreditar no outro... como seria bom viver sem MEDO, sem INSEGURANÇA, sem POBREZA; sem GUERRA... !
Como seria bom pura e simplesmente AMAR Incondicionalmente! O MUNDO! Sem esperar nada em troca apenas AMOR!
A «Vida é tão breve! Nada fica! Tudo passa!»...O que resta são meras lembranças do que pura e simplesmente fizemos a nós próprios e por consequência aos Outros!
Acho que chegou altura de pararmos de olhar para o nosso umbigo e ver grande...
Génesis: « Tu és pó! E ao pó voltarás!» Deus disse!
Está dito!

domingo, 10 de abril de 2011

Limito-me a Ser ( Gente!) 1

Primeiro - quando tudo começou!

10 de Julho de 1988.
Domingo
22 horas

Queria escrever um livro. Talvez um romance, um conto, uma novela... se calhar uma anedota...!
 Vamos ver!
Que contar?
Uma ficção?Ou uma pseudo-ficção? O que é isso? Eu vos digo: qualquer semelhança, com nomes ou factos da vida real não é mera coincidência! Que acham?
Talvez não seja má ideia!
Era giro se eu conseguisse um best-seller... isso é que seria meter uma lança em África!
Tudo é possível! Já nada me espanta!
Porém, para escrever um livro é preciso escolher o Espaço, o Tempo, as Personagens; o ENREDO!!
Pois bem:
Espaço: só pode ser Portugal. Mais exactamente Beira Litoral e Beira Alta/ Beira Interior - Distrito - Viseu
Tempo: 198...
Personagens: NÓS
ENREDO: VIDA!

Porquê Viseu? Perguntarão alguns. É fácil. Tem a ver com a palavra RAÍZES.

Cidade de interior, é um facto. Beija a Serra da Estrela. Durante bastante tempo lamentava o marasmo em que a tinham colocado os «iluminados» do Litoral.
Mas, um dia zangou-se, e disse: Basta! Estou farta! Há que mudar!
E não é que mudou mesmo!
Após um conservadorismo latente, apesar do 25 de Abril de 74, durante alguns anos lá foi devagarinho, libertando-se de algumas correntes. Lá conseguiu uma Universidade (mas tinha que estar a Igreja por trás! Paciência! De vez em quqndo também consegue servir a sociedade!). De seguida foi a Escola Superior de Educação (sempre a fazer barulho....) O Ministério cedeu a Escola de Belas Artes. Foi assim o rasgar da cultura nesta nobilíssima cidade. Aliás o que sempre tentou realizar de variadíssimas formas. Isso o atestam os vários poetas e pensadores viseenses.
Depois foram os grupos culturais: as associações, a movimentação o know how. A indústria,  comércio, a imitação! A epansão demográfica. Os Pubs. Só Pubs... sim, porque discotecas são uma afronta aos pudicos da cidade. As boîtes não! Isso corresponde a centros religiosos altamente fora de suspeita.
Não sei se me entendem?!
É uma cidade virada para o futuro, simpática, bem cheirosa, durante o verão, maneirinha; um pouco mesquinha, um pouco coscovilheira, mas hospitaleira e doida como os comboios. É a cidade qu eu Amo. E de onde sairão a maior parte das personagens desta hitória... ou estória...?
Cabe a V.Exªs descobrir.