Março 2012
- Olá «doutora»! Então... novidades? Nunca mais te vi, mulher! Onde estás?
- Olá «doutora»! Então... novidades? Nunca mais te vi, mulher! Onde estás?
- Olá Teresa! Tudo bem? Lá fiquei mais um ano naquela vila! Terras do Demo!
- Não é mau de todo. Tu até gostas de lá!
- Sim. Mas preferia ficar aqui, sempre me saía mais barato e, além do mais, tenho cá a minhba casa, o meu espaço... !
- Tens razão. Mas o que é que hás-de fazer? Deixa lá. Vamos tomar um café.
- Fechas a Delegação?
- Fecho. vamos. Já há muito tempo que não conversamos, as duas! Como é que vai isso de Amores?
- Óptimo. Estou livre! Acabaram as minhas paixões malucas... creio eu... ah,ah,ah,ah...
- Não mudaste nada, Maria!!
- Para quê? «Eu nasci assim, eu cresci assim...» Só estou um pouco mais velha e mais calculista. Mas de resto está tudo na mesma!
- Então quando voltas para lá?
- Daqui a dias. Sabes que as aulas começam em Setembro e eu tenho que me instalar. Bolas, é o terceiro ano naquela terra! Não sei se é bom ou mau... Só que não vou conseguir fazer lá o que faço aqui. Além de ter que vos deixar.
- Também não vais para tão longe assim; e podes continuar a ser correspondente tanto da RDP, como daqui do Diário de Coimbra. Sabes perfeitamente que gosto que me mandes notícias!
- Vou tentar fazer isso, mas não é a mesma coisa. Não dá luta! As pessoas de lá pensam que o mundo começa e acaba entre Vilar e Leomil. Não vêem que a Vida acontece em todo o lado, a qualquer momento. E que o facto de se estar vivo já é importante. E mais, nós não estamos sozinhos. Há sempre um outro ao nosso lado e que é diferente. Já isso é óptimo, porque aprendemos algo novo, que nos vai enriquecer.
Só que naquela terra ser-se diferente paga-se caro... bem caro!
- Estás a exagerar!
- Não, não estou. Olha que já lá vivi dois anos. Ambos diferentes é um facto. O primeiro foi o de contacto, o da aprendizagem, o das ilusões e das desilusões! Mas, positivo, apesar de tudo. O segundo foi o de recolhimentol e do divertimento. Parece paradoxal, mas é verdade. E talvez por isso mesmo eu disse aquilo!
Tem coisas boas, tem. A paisagem, a escola, os jovens - alguns. O resto é só inveja e bisbilhotice. Mas não falemos só de mim. E tu, o que tens feito? Estás cada vez mais bonita! Os teus homens? A tua mãe? Enfim, todos?
- Eu cá estou sempre na mesma. Já sabes como é! Para trás, para diante, à procura de notícias...e de dinheiro! Os meus homens estão bem. O Ricardo vai para o ciclo. O André lá está na escola e o Marquito está cada vez mais querido.
O Zé pensa ir para a Suiça! vai ser muito bom...
- Não sei, Teresa, já viste o que é ficares aqui sozinha com os putos, a lutar sozinha... O dinheiro não é tudo!!
- Pois não, Maria, mas esta vida assim, também é uma merda! Andamos sempre com uma mão atrás e outra à frente e é quando não são as duas....
- A quem o dizes... mulher! Vocês é que sabem o que é melhor para vós!
- A minha mãe tem andado doente, muito doente. Agora, tem que fazer uns tratamentos em Coimbra no Instituto de Oncologia. Já viste a minha vida!
- Oh, que chatice! Lamento! Não sei que te diga! Olha, coragem!
- E os teus pais?
- Sempre a mesma coisa. A minha mãe lá vai tratando o meu Pai como se ele fosse uma criança; e ele lá vai dando cabo da saúde. Estando a borrifar-se para tudo e todos. Já me mentalizei que ele não vai durar muito tempo! Só espero que não sofra muito nem faça sofrer a minha mãe. Sabes, ela está a envelhecer. às vezes penso, se vale a pena uma pessoa amar, casar e depois... NADA!
- É, Maria! Olha, não te cases... curte! Se quiseres viver junto, vive, mas não te cases. temos poucas compensações. Não há nada que pague a nossa liberdade!
- Então... e o AMOR?
- Acaba por morrer, mais tarde ou mais cedo. Fica o hábito, a amizade, os filhos. Sobejam preocupações. Não te cases, estás melhor assim!
(...)
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